Fronteira POLÊMICA
Investigação sobre cartazes com Bolsonaro na fronteira avança sem apontar responsáveis
Promotoria apura suposta invasão de sistemas de LED e destruição de equipamentos após exibição de mensagens contra paraguaios em Ciudad del Este
10/06/2026 16h47
Por: Redação Fonte: Com informações ABC Color
Cartazes com a imagem de Jair Bolsonaro exibidos próximo à Ponte da Amizade seguem sob investigação no Paraguai. Foto: Reprodução

As investigações abertas pelo Ministério Público do Paraguai após a exibição de cartazes com mensagens consideradas ofensivas a paraguaios em Ciudad del Este ainda não identificaram os responsáveis pelo episódio. O caso envolve duas apurações distintas: uma sobre a suposta invasão dos sistemas utilizados para exibir as imagens em painéis eletrônicos e outra sobre a destruição dos equipamentos após a reação de trabalhadores da área comercial.

O episódio ocorreu no canteiro central da rodovia PY02, próximo à cabeceira da Ponte da Amizade. Nas imagens exibidas em telões e totens de LED aparecia o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro agredindo uma pessoa vestindo uma camisa albirroja, tradicionalmente associada à seleção paraguaia. As peças também exaltavam uma suposta superioridade esportiva, diplomática e econômica do Brasil em relação ao Paraguai.

A exibição das imagens provocou uma reação indignada entre trabalhadores da região central de Ciudad del Este. O caso levou à abertura de procedimentos no Ministério Público e à investigação sobre a origem do conteúdo exibido nos painéis.

Os equipamentos utilizados pertencem às empresas Fast Print e Publimix, que exploram espaços publicitários instalados em área administrada pelo Ministério de Obras Públicas e Comunicações (MOPC). As duas empresas registraram denúncias junto à Promotoria alegando que seus sistemas foram invadidos e negando qualquer participação na divulgação das imagens.

A investigação sobre a suposta invasão está sob responsabilidade do promotor Osvaldo Zaracho. Segundo ele, representantes da Publimix já prestaram depoimento e relataram que o sistema utilizado para exibição do conteúdo teria sido vulnerabilizado.

De acordo com os depoimentos, terceiros poderiam ter acessado os equipamentos por meio de um código universal utilizado na comunicação com os painéis. Os representantes também afirmaram que, após serem informados sobre o conteúdo exibido, tentaram acessar o sistema para remover as imagens, mas não conseguiram.

Os computadores e processadores utilizados na operação dos painéis serão submetidos à perícia em Assunção por especialistas em crimes informáticos. Representantes da Fast Print ainda deverão prestar depoimento e entregar os equipamentos utilizados na gestão do sistema.

Caso a hipótese de invasão seja confirmada, a Promotoria pretende rastrear os endereços IP utilizados para acessar os equipamentos, com o objetivo de identificar os responsáveis pela inserção do conteúdo.

Paralelamente, uma segunda investigação apura a destruição de parte dos equipamentos após a divulgação dos cartazes. Como as imagens permaneceram expostas por cerca de duas horas, trabalhadores da região comercial derrubaram algumas estruturas e causaram danos aos painéis.

O episódio também gerou confrontos entre manifestantes e funcionários das empresas responsáveis pelos equipamentos, que tentaram impedir a destruição das estruturas.

Essa apuração está sob responsabilidade do promotor Luis Trinidad e trata exclusivamente dos danos materiais causados aos equipamentos. Por se tratar de um caso de ação privada, a investigação poderá ser arquivada pelo Ministério Público paraguaio.

Até o momento, nenhuma das duas investigações identificou os responsáveis pela exibição do conteúdo que desencadeou o episódio.