Produções filmadas na tríplice fronteira, premiações em festivais e participação no mercado de cinema de Cannes marcaram os resultados recentes de egressos do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA). Os projetos desenvolvidos por ex-alunos da instituição incluem longas-metragens, curtas premiados, iniciativas de preservação da memória audiovisual e articulações para financiamento e distribuição de obras.
A inserção internacional desses profissionais ganhou novo impulso em maio deste ano, quando egressos da universidade participaram do Marché du Film, mercado realizado paralelamente ao Festival de Cannes e considerado o principal espaço de negócios da indústria cinematográfica mundial. O evento reúne produtores, distribuidores, compradores e agentes de vendas interessados em coprodução, financiamento e circulação de obras audiovisuais.
Representando a produtora Moringa Filmes, Ana Clara Martins e Larissa Barbosa apresentaram os projetos Oceânica e Feito Tatu. Já Nay Mendl participou ao lado de Rosa Caldeira, pela produtora Maloka Filmes, com o projeto The Sea Remains. A presença no mercado teve como objetivo buscar oportunidades de financiamento, coprodução e distribuição para os projetos em desenvolvimento.
Outras duas egressas também participaram de ações voltadas ao mercado internacional por meio do catálogo do Crie Sebrae. Stheffany Fernanda apresentou o longa-metragem Sou uma, mas não sou só, enquanto Camila Coradette integrou a iniciativa com o projeto Emoções Invisíveis, selecionados para divulgação junto a potenciais parceiros do setor audiovisual.
A consolidação dessa trajetória também pode ser observada nas produções desenvolvidas na própria região de fronteira. Um dos principais exemplos é o longa-metragem Vila Pérola, dirigido e roteirizado por Felipe Lovo e produzido pela Três Margens, empresa fundada pelos egressos Felipe Lovo e Maurício Ferreira.
Ambientado entre Brasil, Paraguai e Argentina, o filme retrata a economia dos sacoleiros, a cultura da muamba e as relações construídas ao redor da Ponte da Amizade. Com cerca de 90 minutos de duração, a produção mobilizou mais de 200 profissionais durante cinco semanas de filmagens realizadas no Brasil e no Paraguai e é apontada pelos realizadores como a maior produção cinematográfica já realizada em Foz do Iguaçu. O lançamento está previsto para 2027.
A circulação de obras produzidas por egressos da universidade também alcançou importantes festivais nacionais e internacionais. É o caso de Fronteiriza, curta-metragem de Nay Mendl desenvolvido a partir de seu Trabalho de Conclusão de Curso. O filme acompanha a trajetória de Lucca, um jovem homem trans da periferia de São Paulo que viaja até a fronteira em busca do pai que nunca conheceu.
Em 2025, a obra recebeu o prêmio de melhor curta-metragem no Festival Olhar de Cinema e integrou seleções do Festival Internacional de Curtas de São Paulo, da Mostra de Cinema de Tiradentes e do Festival Internacional de Cine Contemporáneo de Asunción, no Paraguai. O curta também foi exibido em Foz do Iguaçu durante o Festival Latino-Americano de Cinema 3 Margens e a Mostra Arder en La Frontera, eventos organizados por profissionais formados na própria universidade.
Outra produção em desenvolvimento é Bruxa do Oeste, da cineasta Lara Sorbille. Originado de um Trabalho de Conclusão de Curso elaborado em 2021, o documentário resgata a memória e a trajetória de Maria Luiza Alves Carvalho e de outras mulheres conhecidas como “bruxas” do Oeste do Paraná. O projeto foi semifinalista do Laboratório de Desenvolvimento de Projetos de Longas Documentais, participou do LatAm Content Meeting e atualmente está em fase de captação de recursos para se transformar em longa-metragem.
Além da produção de filmes, egressos da instituição também atuam na preservação da memória audiovisual. Em São Paulo, Stheffany Fernanda integra a Cinemateca da Quebrada, iniciativa criada para mapear, preservar e difundir produções realizadas nas periferias brasileiras. Neste ano, o projeto promoveu o 1º Fórum Internacional do Cinema da Quebrada, ampliando sua atuação para além da preservação de acervos e do estímulo à produção audiovisual periférica.