Para abastecer 384 hospitais e dar suporte a 96,6% dos leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) no Paraná, a Hemorrede Estadual precisa distribuir diariamente cerca de 700 hemocomponentes. A operação atende desde cirurgias eletivas até casos de urgência, emergência e tratamentos contínuos. Apesar do crescimento das doações nos últimos anos, os estoques dos tipos sanguíneos O positivo (O+) e O negativo (O-) exigem reposição imediata para manter a segurança do sistema.
Os números mostram uma trajetória de crescimento nas coletas. Em 2023, o Paraná registrou 187.128 bolsas de sangue. O total subiu para 203.925 em 2024 e alcançou 214.377 em 2025, aumento próximo de 15% no período. Em 2026, a tendência permanece positiva: mais de 86 mil bolsas já foram coletadas, volume cerca de 3% superior ao registrado no mesmo intervalo do ano passado.
Mesmo com a evolução dos indicadores, a demanda hospitalar exige reposição contínua. Os tipos O+ e O- estão entre os mais utilizados pela rede assistencial, especialmente em atendimentos de urgência e emergência, o que mantém a necessidade permanente de novos doadores.
O desafio também está relacionado às características dos hemocomponentes. As plaquetas, por exemplo, podem ser utilizadas por apenas cinco dias após a coleta. Isso exige renovação constante dos estoques e mobilização frequente de voluntários.
Há cerca de dez anos, o advogado César Yukio Yokoyama, de 57 anos, incorporou a doação de sangue à rotina. Ele estima já ter realizado aproximadamente 45 doações no Hemepar, principalmente de plaquetas.
“A minha principal motivação é saber que o que corre nas minhas veias pode ser o combustível para a sobrevivência de outra pessoa. Descobri que meu tipo sanguíneo atende principalmente recém-nascidos e pacientes imunosuprimidos. Saber que o meu sangue pode ajudar pessoas tão vulneráveis deu um sentido totalmente novo para a doação”, afirmou.
Se para alguns a doação representa solidariedade, para outros ela é uma condição indispensável para seguir vivendo. A administradora de empresas Leisse Vieira, de 43 anos, convive com Talassemia Major, doença genética que exige transfusões de sangue a cada três ou quatro semanas.
“O doador me sustenta, me dá a oportunidade de viver mais e melhor. No meu caso, o sangue precisa ser fenotipado, mas qualquer doação é bem-vinda para salvar vidas. Doe sangue. Não vai te fazer falta e é uma atitude que gera felicidade para quem doa e para quem recebe”, relatou.
Além do volume de bolsas coletadas, a integração da rede é um dos pilares do sistema paranaense. O sangue doado em qualquer unidade pode ser encaminhado para hospitais de outras regiões, de acordo com a necessidade assistencial identificada pela hemorrede. Na prática, uma doação realizada em uma cidade pode ajudar a salvar a vida de um paciente internado a centenas de quilômetros de distância.
Segundo o Hemepar, ações do Junho Vermelho estão sendo realizadas em diferentes municípios para ampliar o número de voluntários e reforçar a cultura da doação regular. As iniciativas incluem campanhas educativas, mobilizações comunitárias e atividades de conscientização em instituições de ensino, empresas e organizações parceiras.
Podem doar sangue pessoas entre 16 e 69 anos completos. Menores de idade precisam de autorização e acompanhamento do responsável legal. O voluntário deve pesar mais de 50 quilos, estar alimentado, hidratado, descansado e apresentar documento oficial com foto no momento da coleta.