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Governo Lula transforma rede nacional de trilhas em política pública permanente

Decreto cria sistema para integrar conservação ambiental, turismo sustentável e uso público em unidades de conservação

Por: Redação Fonte: Com informações da assessoria
14/06/2026 às 16h15
Governo Lula transforma rede nacional de trilhas em política pública permanente
Rede Nacional de Trilhas reúne mais de 41 mil quilômetros planejados e passa a contar com estrutura permanente de gestão. Foto: Diego Herculano/MMA.

O governo federal transformou a Rede Nacional de Trilhas de Longo Curso e Conectividade em uma política pública permanente ao instituir o Sistema Nacional de Trilhas (Sintrilhas). A medida cria uma estrutura nacional de planejamento, gestão e monitoramento para uma rede que reúne cerca de 205 trilhas planejadas em todo o país, somando mais de 41 mil quilômetros de extensão, dos quais mais de 16 mil já estão implantados.

O decreto foi assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante cerimônia realizada no Palácio do Planalto em alusão ao Dia Mundial do Meio Ambiente. A iniciativa foi construída em articulação entre o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e o Ministério do Turismo (MTur).

A regulamentação ocorre em um contexto de crescimento da visitação em áreas protegidas. Em 2025, as unidades de conservação federais receberam 28,5 milhões de visitantes, ampliando a demanda por infraestrutura, orientação aos usuários e organização dos percursos destinados ao uso público.

Atualmente, 22 trilhas são oficialmente reconhecidas pelo Ministério do Meio Ambiente e conectam centenas de municípios, áreas protegidas e comunidades locais em todos os biomas brasileiros. Entre elas estão a Trilha Caminhos da Ibiapaba, entre Ceará e Piauí; o Caminho dos Veadeiros, em Goiás; a Transcarioca, no Rio de Janeiro; e a Trilha Amazônia Atlântica, que atravessa Amapá, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte.

Segundo o governo federal, a nova política busca organizar a expansão da rede de trilhas e criar mecanismos permanentes para integrar conservação ambiental, uso público e turismo em áreas naturais. A expectativa é ampliar a segurança dos visitantes e consolidar o Brasil como destino internacional de turismo de natureza.

A medida também busca fortalecer atividades econômicas ligadas aos percursos, como hospedagem, alimentação, artesanato, produção local e turismo de base comunitária. Como as trilhas conectam municípios, áreas protegidas e comunidades ao longo de grandes distâncias, a circulação de visitantes tende a alcançar regiões que normalmente ficam fora dos principais circuitos turísticos.

Criada em 2018, a Rede Nacional de Trilhas foi construída ao longo de mais de sete anos com a participação de voluntários, montanhistas, ciclistas, gestores públicos, comunidades locais, empreendedores e organizações da sociedade civil. O decreto transforma essa estrutura em uma política pública nacional permanente, com instrumentos formais de coordenação e planejamento.

Entre os mecanismos instituídos estão a Estratégia Nacional de Trilhas, o Cadastro Nacional de Trilhas e o Comitê Nacional de Trilhas. Caberá ao colegiado acompanhar a implementação da política e definir prioridades para o desenvolvimento da rede. A Estratégia Nacional deverá ser elaborada em até 180 dias após a instalação do comitê.

O sistema também incorpora oficialmente a sinalização baseada nas pegadas amarelas e pretas, utilizada para identificar os percursos integrados à rede brasileira de trilhas. Além de orientar os usuários, o modelo permite padronizar a identificação dos trajetos em diferentes regiões do país.

Outro eixo da política é o reconhecimento das trilhas como infraestrutura pública voltada ao lazer, à atividade física, à educação ambiental e ao contato com a natureza. A proposta acompanha iniciativas adotadas em outros países, onde grandes redes de trilhas integram estratégias de conservação e uso público de áreas naturais.

O Sintrilhas também posiciona o Brasil em sintonia com iniciativas internacionais voltadas à conectividade ecológica. Em 2025, o Congresso Mundial da Natureza da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) aprovou uma moção que reconhece as trilhas como instrumentos de conservação da biodiversidade, conectividade de habitats e engajamento social. A Convenção sobre Espécies Migratórias (CMS) também passou a destacar a importância de iniciativas capazes de reduzir a fragmentação ambiental e integrar paisagens em larga escala.

Com a regulamentação, a rede brasileira passa a contar com uma estrutura permanente para administrar uma malha de trilhas que atravessa centenas de municípios, conecta áreas protegidas em todos os biomas do país e reúne mais de 41 mil quilômetros de percursos planejados.

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