Uma quadrilha com mais de 20 homens armados com fuzis e explosivos atacou simultaneamente três bancos e uma casa de câmbio na madrugada desta terça-feira (16) em Santa Rita, no departamento de Alto Paraná, a cerca de 70 quilômetros de Foz do Iguaçu. A ação destruiu cofres, fez um policial refém e terminou com a fuga dos criminosos após bloqueios nos acessos à cidade.
O ataque ocorreu entre 1h e 1h30 e teve como alvo as agências dos bancos Familiar, GNB e Ueno, além da casa de câmbio Santa Rita, localizadas na região central do município, às margens da Rodovia PY06.
Segundo a Polícia Nacional do Paraguai, o grupo chegou em pelo menos cinco veículos e detonou explosivos nas agências dos bancos Familiar e GNB, destruindo os cofres das duas instituições.
No Banco Ueno, os assaltantes renderam um funcionário e o vigilante da agência, levando a arma do segurança. Apesar da invasão, não conseguiram acessar dinheiro porque a unidade não possuía cofre operacional para armazenamento de grandes valores.
A casa de câmbio também foi alvo da ação. Os criminosos instalaram explosivos no local, mas o artefato não detonou. Horas depois, equipes do Grupo de Operações Especiais (GEO) removeram o material com segurança.
As autoridades paraguaias ainda não divulgaram quanto foi levado. A confirmação inicial é de que pelo menos dois cofres foram violados, mas a contagem dos valores continua.
Durante o ataque, quatro policiais que realizavam patrulhamento preventivo foram cercados. Um deles foi dominado, teve um fuzil Galil e uma pistola roubados e permaneceu refém por alguns minutos.
Segundo o chefe da delegacia de Santa Rita, Darío Aquino, o agente pediu aos colegas que não reagissem para evitar ser executado. Ele foi libertado durante a fuga e sofreu apenas escoriações provocadas pelas algemas.
Outra equipe policial que tentava chegar ao centro da cidade foi recebida a tiros e precisou recuar.
Para retardar perseguições, os criminosos incendiaram dois veículos nos acessos norte e sul de Santa Rita e espalharam centenas de miguelitos em rodovias da região para furar pneus de viaturas policiais.
A força das explosões lançou parte do dinheiro armazenado em um dos cofres para imóveis vizinhos. Uma moradora encontrou uma sacola com cédulas em seu quintal e entregou o material aos investigadores. Após prestar esclarecimentos, foi liberada.
No Banco Familiar, a polícia localizou cerca de um milhão de guaranis entre os escombros. Na agência do GNB, quatro sacos contendo dinheiro foram recolhidos para perícia e contabilização.
Até a tarde desta terça-feira, ninguém havia sido preso.
Investigadores apuram a participação de uma organização especializada em ataques a instituições financeiras. Entre os nomes monitorados está o brasileiro Kaio César Bonotto Cavalcante, conhecido como “Bocón”, apontado pelas autoridades paraguaias como especialista em explosivos e investigado por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
A promotoria informou que parte dos suspeitos já foi identificada e que há indícios da participação de paraguaios e brasileiros com histórico de roubos a bancos e carros-fortes. Também são analisadas semelhanças entre o ataque em Santa Rita e ações registradas recentemente em cidades paraguaias como Naranjal e Coronel Bogado.
A ofensiva volta a expor a capacidade operacional de grupos criminosos que atuam na região de fronteira. Em menos de uma hora, os assaltantes atacaram quatro instituições financeiras, neutralizaram a reação policial, utilizaram explosivos para acessar cofres e executaram uma fuga planejada para dificultar perseguições.