Paraná ELEIÇÕES 2026
TRE libera debate sobre inelegibilidade de Deltan e derruba punições contra Gleisi Hoffmann
Corte conclui que declarações fundamentadas na decisão que cassou o mandato do ex-procurador não configuram desinformação eleitoral
18/06/2026 13h35
Por: Redação Fonte: Redação
Corte concluiu que declarações sobre a inelegibilidade de Deltan não configuram desinformação eleitoral. Foto: Arquivo

O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) decidiu nesta quarta-feira (17) derrubar as punições impostas à deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) por publicações em que sustentava que o ex-procurador Deltan Dallagnol está impedido de disputar as eleições de 2026. Por unanimidade, a Corte afastou multa de R$ 5 mil, anulou ordens de remoção de conteúdo e revogou a proibição de novas manifestações sobre o tema.

As ações foram apresentadas pelo Novo após Gleisi afirmar que Deltan é inelegível em razão da decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que cassou seu mandato de deputado federal em maio de 2023. Naquele julgamento, o TSE concluiu que o ex-procurador deixou o Ministério Público Federal para disputar as eleições de 2022 enquanto ainda respondia a procedimentos disciplinares que poderiam resultar em inelegibilidade, entendimento que levou à cassação do mandato por fraude à Lei da Ficha Limpa. Em primeira instância, a Justiça Eleitoral determinou a remoção das publicações, aplicou multa à parlamentar e proibiu novas manifestações com o mesmo conteúdo.

Ao reformar as sentenças, os desembargadores registraram que a “divergência interpretativa sobre os efeitos futuros de um julgado do TSE de 2023 não transforma a afirmação em desinformação”. A Corte também concluiu que a declaração pública de inelegibilidade, quando fundamentada em decisão da própria Justiça Eleitoral, “não configura, por si só, propaganda eleitoral antecipada negativa, desinformação eleitoral ou fato sabidamente inverídico”.

As ações tiveram origem em declarações feitas por Gleisi em abril, quando a deputada passou a sustentar que Deltan não poderia disputar as eleições de 2026 em razão da decisão do TSE que cassou seu mandato. O Novo contestou a afirmação e acionou a Justiça Eleitoral.

O caso de Gleisi não foi isolado. Levantamento publicado pelo Plural em maio apontou que o Novo havia ajuizado ao menos 18 ações contra jornalistas, veículos de comunicação, influenciadores e adversários políticos que questionaram a elegibilidade de Deltan. Em diversas decisões de primeira instância, os alvos foram condenados ao pagamento de multas, remoção de conteúdos e proibição de novas publicações sobre o tema. Uma dessas decisões chegou a ser suspensa pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), antes do julgamento realizado pelo TRE nesta quarta-feira.

A situação de Deltan

O TRE não decidiu se Deltan poderá concorrer ao Senado em 2026. Os desembargadores registraram que a eventual elegibilidade ou inelegibilidade do ex-procurador deverá ser examinada pela Justiça Eleitoral em processo de registro de candidatura, e não em ações sobre propaganda eleitoral ou desinformação.

No voto, a Corte ressalta que os processos analisados “não se prestam a definir se um determinado pré-candidato é ou não elegível”.

Com a decisão desta quarta-feira, ficam sem efeito a multa, as ordens de remoção de conteúdo e a proibição imposta a Gleisi Hoffmann.