Familiares de Iasmyn Eckhardt da Silva, de 14 anos, foram à Delegacia de Homicídios de Foz do Iguaçu um dia após a prisão do jovem que confessou ter matado a adolescente. A família afirma que a vítima saiu de casa para ajudar alguém em quem confiava e decidiu se manifestar publicamente para rebater comentários que passaram a relacioná-la ao crime após a divulgação do caso.
Segundo a tia da adolescente, Zani Rotela, o suspeito frequentava a residência da família e mantinha amizade com Iasmyn. Na noite do crime, afirma, a jovem recebeu uma mensagem pedindo ajuda para recuperar uma motocicleta que teria apresentado problemas e saiu de casa para encontrá-lo.
“Ela considerava ele como um amigo dela. Ele frequentava a casa da mãe dela, eles eram amigos. Ela tinha confiança nele”, afirmou.
A manifestação também teve como objetivo responder à justificativa apresentada pelo investigado à Polícia Civil. Em depoimento, ele afirmou que acreditava estar sendo alvo de uma emboscada e passou a desconfiar da participação da adolescente após receber ameaças de outro homem conhecido dela.
“Essa história de que a Iasmyn estava formando uma casinha para ele é mentira. Não existe isso”, disse Zani.
Parentes também negam qualquer envolvimento da adolescente com drogas, prostituição ou atividades criminosas. Segundo a tia, Iasmyn completaria 15 anos em 9 de julho.
“Ela tinha apenas 14 anos. Era uma criança boa, tranquila. Não tinha envolvimento com droga, não era garota de programa e não tinha envolvimento com crime.”
Iasmyn foi encontrada morta no domingo (14) em uma área de mata no bairro Portal da Foz. A adolescente apresentava ferimentos graves na cabeça e no rosto. Conforme laudo da Polícia Científica, a causa da morte foi lesão crânio-encefálica provocada por ação contundente.
O jovem foi preso na quarta-feira (17) após o avanço das investigações e confessou o homicídio. Segundo a Polícia Civil, ele relatou ter levado a adolescente até o local do crime sob o pretexto de buscar uma porção de droga.
De acordo com o delegado Marcelo Pereira Dias, o investigado admitiu ter matado a vítima com um tijolo.
“Ele atingiu a vítima por pelo menos quatro vezes na região da nuca e da cabeça, causando a morte ainda no local”, afirmou.
As investigações reuniram imagens de câmeras de segurança, depoimentos e vestígios recolhidos durante as diligências. As gravações mostram a adolescente chegando ao local acompanhada do suspeito, segundo a polícia.
Durante buscas na residência do investigado, policiais encontraram um celular e um par de chinelos pertencentes à vítima. As roupas usadas por ele no dia do crime também foram apreendidas com manchas de sangue e encaminhadas para perícia.
Testemunhas relataram ter ouvido uma discussão e pedidos de socorro na região onde o corpo foi encontrado. Também informaram que dois veículos deixaram o local logo depois.
Ao explicar por que decidiu falar publicamente, Zani afirmou que a família busca impedir que a vítima seja responsabilizada pelo que aconteceu.
“Sempre quando acontece uma violência contra uma mulher ou contra uma menina, as pessoas perguntam o que ela estava fazendo, por que estava naquele lugar ou naquele horário. A gente tem que parar de fazer esse tipo de pergunta e começar a perguntar por que alguém fez isso com ela.”
A Polícia Civil informou que o suspeito negou ter cometido violência sexual contra a adolescente. A hipótese permanece sob investigação. Os policiais também buscam novas imagens de câmeras de segurança para reconstruir os últimos passos da vítima, verificar se houve participação de outras pessoas e esclarecer todas as circunstâncias do crime antes da conclusão do inquérito.