Publicidade

“Taxa das blusinhas” freia importações e reforça mercado interno, aponta indústria

Medida elevou arrecadação e ajudou a manter empregos; efeito chega a cadeias produtivas no Paraná

Por: Redação Fonte: Com informações Agência Brasil
22/04/2026 às 16h54
“Taxa das blusinhas” freia importações e reforça mercado interno, aponta indústria
Compras internacionais de baixo valor caem após nova tributação; indústria aponta impacto positivo na produção e no emprego. Foto:Agência Brasil

A cobrança de imposto sobre compras internacionais de até US$ 50, conhecida como “taxa das blusinhas”, reduziu o volume de importações de baixo valor e reforçou a atividade econômica no país, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria divulgado nesta quarta-feira (22). A entidade estima que a medida preservou 135,8 mil empregos e manteve R$ 19,7 bilhões em circulação na economia brasileira.

O estudo aponta que a tributação evitou R$ 4,5 bilhões em importações e contribuiu para reduzir a concorrência de produtos estrangeiros de baixo custo, especialmente oriundos da Ásia. Para a indústria, o efeito direto foi o fortalecimento da produção nacional, com impacto na manutenção de postos de trabalho e na geração de renda.

A regra entrou em vigor em agosto de 2024 e estabelece a cobrança de 20% de Imposto de Importação sobre remessas internacionais de até US$ 50, no âmbito do programa Remessa Conforme. O tributo é recolhido no momento da compra, o que, segundo a CNI, aumentou o controle sobre as operações e reduziu práticas como subfaturamento, divisão de pedidos e uso indevido de isenções.

Com a mudança, o número de encomendas internacionais caiu de 179,1 milhões em 2024 para 159,6 milhões em 2025. Em termos proporcionais, a queda foi de 10,9% no período. No primeiro semestre de 2025, o recuo foi ainda mais acentuado, de 23,4% em relação ao mesmo intervalo de 2024, antes da entrada em vigor da medida. Sem a taxação, a projeção da indústria indicava que o volume poderia superar 205 milhões de pacotes no ano passado.

Além do efeito sobre o comércio exterior, a medida ampliou a arrecadação federal. Segundo a entidade, a receita com o imposto passou de R$ 1,4 bilhão em 2024 para R$ 3,5 bilhões em 2025.

Para a indústria, a tributação corrige distorções históricas no comércio eletrônico internacional, ao reduzir a diferença de carga tributária entre produtos importados e nacionais. “O objetivo não é tributar o consumidor, mas garantir condições mais equilibradas de concorrência”, afirmou, em nota, o superintendente de Economia da CNI, Marcio Guerra.

No Paraná, onde a indústria de transformação tem peso relevante — com destaque para os setores têxtil, de confecção e de bens de consumo —, o impacto tende a se refletir na cadeia produtiva local. A redução da pressão de importados de baixo custo favorece a produção interna e pode sustentar empregos em polos industriais e comerciais do Estado.

A CNI ressalta que as importações continuam sendo parte importante da economia, mas defende que ocorram em condições de igualdade tributária. Com a nova regra, segundo a entidade, o ambiente competitivo se torna mais equilibrado, com efeitos diretos sobre a indústria nacional e seus encadeamentos regionais.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários