Um exemplar de atum Bluefin, considerado um dos peixes mais valorizados da gastronomia mundial, chegou a Foz do Iguaçu após uma operação logística internacional que conectou o Mar Mediterrâneo ao interior do Paraná. O pescado será o destaque de uma cerimônia japonesa tradicional marcada para esta quinta-feira (23).
A trajetória teve início na região das Ilhas Baleares, na costa da Espanha. Após ser capturado durante o período de migração da espécie, o peixe passa por um processo controlado de engorda que pode durar até dois anos, sob monitoramento constante e alimentação específica para atingir alto teor de gordura — característica central para seu valor gastronômico.
Quando atinge o ponto ideal, o atum é submetido à técnica japonesa ikejime, método que preserva textura e sabor da carne. A partir desse momento, inicia-se o transporte em cadeia refrigerada: o peixe é acondicionado em caixa térmica e levado por via aérea até o Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos.
No Brasil, o trajeto segue por rodovia, sob controle rigoroso de temperatura, passando por Curitiba até chegar a Foz do Iguaçu. São mais de mil quilômetros percorridos em território nacional. Todo o processo, da captura à entrega, ocorre em um intervalo de cinco a sete dias, segundo a organização do evento, para garantir a preservação das características originais do pescado.
Também chamado de “rei dos atuns”, o Bluefin pode ultrapassar meia tonelada e atingir mais de dois metros de comprimento. Em edições anteriores da cerimônia, exemplares de cerca de 110 quilos foram comercializados por valores próximos a R$ 35 mil.
Cerimônia Kaitai e cortes do peixe
O atum será preparado na Cerimônia Kaitai, prática tradicional japonesa que consiste no corte técnico do peixe diante dos convidados. O evento será realizado no Sushi Hokkai, com jantar para 50 pessoas e ingressos esgotados.
Durante a apresentação, o peixe é dividido em três cortes principais: akami (parte mais magra), chutoro (intermediária) e otoro (porção mais nobre). Um chef conduz o ritual em um palco montado no centro do salão, realizando os cortes e servindo os convidados ao longo da experiência.
A iniciativa é promovida pelo Grupo Capitão, responsável pelo restaurante, que possui certificação de qualidade no turismo no Paraná. Segundo a diretora executiva Isabel Salvatti Raffagnin, a proposta é conectar a região a circuitos gastronômicos normalmente concentrados em grandes centros.
Para o chef e sócio Júnior Lima, a limitação de público integra a proposta do evento. “Optamos por um formato restrito para preservar o rigor técnico e a experiência da cerimônia”, afirmou.
A programação terá continuidade no dia seguinte, com nova edição do ritual em Ciudad del Este.