Paraná SAÚDE
Paraná mantém alerta contra dengue mesmo com queda de casos e mortes
Predomínio do DENV-2 e circulação de múltiplos sorotipos elevam risco de reinfecção e formas graves da doença
05/05/2026 17h00
Por: Redação Fonte: Com informações SESA
Mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, tem proliferação favorecida por calor e água parada; autoridades mantêm alerta mesmo com queda de casos no Paraná. Foto: SESA

A redução de casos e mortes por dengue registrada no Paraná em 2026 não representa controle definitivo da doença. A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) mantém o alerta epidemiológico diante da circulação simultânea de diferentes sorotipos do vírus, com predominância do DENV-2, cenário que aumenta o risco de reinfecções e de evolução para quadros graves.

Entre janeiro e abril, a rede laboratorial estadual analisou mais de seis mil amostras para monitoramento da circulação viral. Mais de 200 tiveram resultado positivo para dengue, com manutenção do DENV-2 como sorotipo predominante, padrão já observado ao longo de 2025. Embora o volume absoluto seja inferior ao de ciclos anteriores, a presença ativa do vírus sustenta o risco epidemiológico no estado.

A dengue possui quatro sorotipos distintos (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4). A infecção por um deles gera imunidade permanente apenas para aquela variação específica. Na prática, isso significa que uma mesma pessoa pode contrair a doença até quatro vezes. Infecções subsequentes, causadas por sorotipos diferentes, estão associadas a maior probabilidade de complicações clínicas, incluindo formas graves e risco de morte.

O monitoramento histórico do Paraná, realizado de forma contínua desde 1995, mostra alternância na predominância dos sorotipos ao longo dos anos. Após o domínio do DENV-1 até 2018 e do DENV-2 entre 2019 e 2020, o padrão voltou a se inverter a partir de 2021. Mais recentemente, a reintrodução do DENV-3, registrada desde 2024, adiciona um novo fator de risco ao cenário epidemiológico.

Outro ponto de atenção é a perda de previsibilidade sazonal da doença. Dados do Laboclima da Universidade Federal do Paraná indicam que março apresentou condições de risco para a proliferação do mosquito Aedes aegypti em praticamente todo o estado. A avaliação técnica é de que fatores climáticos têm ampliado o período de circulação do vetor ao longo do ano, reduzindo a eficácia de estratégias baseadas apenas em sazonalidade.

Diante desse cenário, a Sesa reforça que a queda nos indicadores não deve ser interpretada como redução estrutural do risco. O controle da dengue segue dependente, sobretudo, da eliminação de criadouros em áreas urbanas, principal vetor de sustentação da transmissão.

Medidas como vedação de caixas d’água, limpeza de calhas, descarte adequado de resíduos e eliminação de recipientes que acumulam água permanecem como ações centrais. Segundo a Secretaria, a adesão contínua da população a essas práticas é determinante para evitar uma nova escalada da doença no Paraná.