Turismo GOVERNO FEDERAL
Guia para mulheres que viajam sozinhas transforma relatos de insegurança em orientações para viagens mais seguras
Material reúne estratégias sobre hospedagem, deslocamentos e acolhimento no setor turístico após pesquisa nacional com brasileiras
05/05/2026 20h27
Por: Redação Fonte: Com informações Agência Brasil
Guia lançado pelo governo federal reúne orientações de segurança e acolhimento para mulheres que viajam sozinhas pelo Brasil. Foto: Freepik

O medo da violência ainda interfere diretamente na forma como mulheres circulam pelo país e influencia até mesmo decisões sobre turismo. Um levantamento nacional encomendado pelo governo federal mostrou que 60% das brasileiras já desistiram de viajar sozinhas por preocupações relacionadas à segurança. Diante desse cenário, o Ministério do Turismo lançou um guia voltado ao público feminino com orientações práticas para viagens solo.

Produzido em parceria com a Unesco, o “Guia para Mulheres que Viajam Sozinhas” reúne recomendações sobre planejamento de roteiros, escolha de hospedagem, deslocamentos, avaliação de ambientes e estratégias para lidar com situações de vulnerabilidade durante viagens.

O material foi estruturado a partir de experiências relatadas pelas próprias mulheres e busca transformar percepções recorrentes de insegurança em protocolos de prevenção e acolhimento dentro da cadeia turística.

A publicação integra ações do governo federal vinculadas ao Pacto Nacional contra o Feminicídio. Segundo o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, os dados levantados pela pesquisa revelaram impacto direto da insegurança sobre o comportamento turístico feminino.

“O guia serve para orientar as mulheres a viajarem sozinhas, mas também para que os empreendedores do turismo estejam preparados”, afirmou o ministro durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, da Empresa Brasil de Comunicação.

Mais do que orientar viajantes individualmente, o documento parte da premissa de que a segurança feminina não deve depender apenas de medidas pessoais de autoproteção. O guia também estabelece diretrizes para hotéis, bares, restaurantes, transportes e demais serviços turísticos adotarem protocolos de acolhimento mais seguros para mulheres desacompanhadas.

Entre os exemplos apresentados estão recomendações para hospedagens evitarem acomodar mulheres sozinhas em quartos isolados ou afastados de áreas de circulação, priorizando locais próximos a elevadores e setores com maior fluxo de pessoas.

A pesquisa utilizada como base para a publicação ouviu 2.712 mulheres de todas as regiões do país entre agosto e setembro de 2025. Os dados indicam que as viagens solo femininas já fazem parte da rotina de parcela significativa das brasileiras: 41,8% afirmaram já ter viajado sozinhas, enquanto 31,4% disseram realizar esse tipo de deslocamento com frequência.

Entre as mulheres que já viajaram desacompanhadas, 35,9% escolheram destinos nacionais. O lazer aparece como principal motivação das viagens, seguido por autonomia, liberdade e autoconhecimento. Trabalho, visitas familiares, ecoturismo, gastronomia e bem-estar também figuram entre os principais motivos apontados pelas entrevistadas.

O guia reúne ainda recomendações práticas sobre compartilhamento de localização, análise prévia de hospedagens, planejamento de deslocamentos, identificação de ambientes seguros e formas de buscar apoio em situações de risco.

O avanço das viagens solo entre mulheres ocorre em paralelo ao aumento da demanda por informação, acolhimento e segurança no turismo, tema que passou a ganhar espaço em políticas públicas federais após pesquisas indicarem que o medo da violência segue como um dos principais fatores de restrição à mobilidade feminina no país.