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Apreensões de canetas emagrecedoras crescem 967% em Foz

Receita Federal saltou de 7,4 mil para quase 80 mil unidades retidas em um ano na fronteira com o Paraguai

Por: Redação Fonte: Com informações da assessoria
06/06/2026 às 11h14
Apreensões de canetas emagrecedoras crescem 967% em Foz
Fiscalização na fronteira registrou forte aumento na retenção de medicamentos para emagrecimento. Foto: Receita Federal

A Receita Federal apreendeu 79.837 canetas e ampolas utilizadas em tratamentos para emagrecimento entre janeiro e maio deste ano na região de Foz do Iguaçu. No mesmo período de 2025, haviam sido retidas 7.479 unidades. O salto de 967% colocou esses medicamentos entre as mercadorias de crescimento mais acelerado nas ações de fiscalização da fronteira entre Brasil e Paraguai.

O volume apreendido ganha relevância diante de outra estimativa da Receita Federal. O órgão calcula interceptar aproximadamente 5% do total de mercadorias introduzidas ilegalmente no país por meio de contrabando e descaminho. O percentual refere-se ao conjunto das operações de fiscalização na fronteira e não especificamente aos medicamentos para emagrecimento.

Segundo a Receita Federal, os produtos são comercializados no Paraguai por valores até 69% inferiores aos praticados no mercado brasileiro. A diferença de preços é apontada pelo órgão como um dos fatores associados ao crescimento das apreensões registradas na região.

O aumento também ocorreu paralelamente ao endurecimento das restrições sanitárias sobre determinados medicamentos adquiridos no Paraguai. Após medidas adotadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) relacionadas à entrada de algumas marcas no Brasil, a fiscalização passou a registrar crescimento expressivo nas retenções.

Para os fiscais, o transporte irregular desses medicamentos não está restrito a organizações criminosas estruturadas. As apreensões envolvem diferentes perfis de transportadores. Entre eles estão brasileiros que estudam medicina no Paraguai e cruzam diariamente a Ponte Internacional da Amizade, famílias que aproveitam viagens à fronteira para adquirir os produtos e os chamados “laranjas”, responsáveis por transportar pequenas quantidades a pé, de motocicleta ou em veículos particulares.

O atrativo financeiro ajuda a explicar a expansão desse mercado. Um carregamento de 50 ampolas pode valer aproximadamente R$ 9 mil ainda no Paraguai. Depois de introduzido no Brasil, o valor pode dobrar.

O chefe da Alfândega da Receita Federal em Foz do Iguaçu, Cezar Vianna, afirma que o crescimento das apreensões foge do padrão histórico observado na fronteira.

“Estou aqui há mais de 20 anos e este incremento de 1.000% nas apreensões em um ano é totalmente atípico.”

A facilidade de ocultação é outro elemento que desafia a fiscalização. As ampolas podem ser escondidas em bolsos de roupas, capacetes, fundos falsos e compartimentos internos de veículos.

Os fiscais já localizaram medicamentos escondidos dentro de potes de doce de leite argentino, atrás de banheiros de ônibus, em dutos de ar-condicionado e em compartimentos adaptados em automóveis. Em algumas operações, as apreensões ocorreram em veículos de luxo, incluindo BMW, Mercedes-Benz e Land Rover.

Segundo a Receita Federal, uma única caixa térmica adaptada pode esconder até 500 ampolas em suas paredes internas.

Além da irregularidade na importação e comercialização, os medicamentos exigem controle rigoroso de temperatura durante transporte e armazenamento. De acordo com a Receita, essa condição frequentemente não é observada nas operações clandestinas, o que pode comprometer a estabilidade e a eficácia dos produtos.

O crescimento da demanda também provocou repercussões no Paraguai. Em março, proprietários de farmácias e depósitos de Ciudad del Este solicitaram reforço policial após uma série de roubos e furtos direcionados a medicamentos para emagrecimento.

Em maio, a Direção Nacional de Vigilância Sanitária do Paraguai (Dinavisa) emitiu alerta sobre produtos comercializados sob os nomes Veltrane, Tirzepatide, Thera Tirzepatide, Tirzepatite Injection e Tirzegen. Segundo o órgão, os produtos não possuem registro sanitário e podem conter substâncias potencialmente prejudiciais à saúde. A autoridade também apontou ausência de informações seguras sobre dosagem e modo de preparo.

No Brasil, a Anvisa reforça que medicamentos registrados em outros países não podem ser comercializados em território nacional sem autorização específica. A agência também publicou medidas relacionadas à circulação de canetas falsificadas e à importação irregular desses produtos.

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