
O atropelamento de anfíbios na BR-469, o comportamento do urutau, a presença de mamíferos silvestres e a atividade de aves registradas por equipamentos acústicos estão entre os estudos que transformaram o Parque Nacional do Iguaçu em um dos maiores laboratórios naturais de pesquisa sobre biodiversidade do país. Atualmente, cerca de 200 pesquisadores participam de projetos científicos desenvolvidos na unidade de conservação.
Os primeiros resultados dessas pesquisas serão apresentados entre os dias 16 e 19 de junho durante o IV Simpósio da Rede de Pesquisa em Biodiversidade da Mata Atlântica (PPBio.MA), na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), em Foz do Iguaçu.
Os estudos integram o Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração (PELD-Iguaçu), financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A iniciativa acompanha as transformações ambientais no maior remanescente de Mata Atlântica do interior do Brasil e busca compreender como espécies e ecossistemas respondem às mudanças ao longo do tempo.
As pesquisas começaram em 2025 e envolvem universidades e instituições de pesquisa brasileiras e internacionais. Mais de dez trabalhos desenvolvidos dentro do parque serão apresentados durante o simpósio.
Entre eles está um estudo que analisa os impactos da Rodovia das Cataratas (BR-469) sobre populações de anfíbios, grupo considerado particularmente sensível às alterações ambientais. Outro trabalho monitora mamíferos de médio e grande porte em diferentes áreas da unidade de conservação, permitindo acompanhar a distribuição e a ocorrência dessas espécies ao longo do tempo.
Os pesquisadores também investigam os padrões de atividade do urutau, ave de hábitos discretos e camuflagem característica encontrada na Mata Atlântica, além de utilizar sistemas de monitoramento acústico para registrar a presença e o comportamento da avifauna em diferentes pontos do parque.
Outro eixo das pesquisas busca compreender como a diversidade de anfíbios varia em diferentes regiões da unidade de conservação, ampliando o conhecimento sobre uma das áreas mais importantes para a conservação da biodiversidade no Sul do Brasil.
Os trabalhos desenvolvidos no Parque Nacional do Iguaçu produzem informações utilizadas para acompanhar a dinâmica da fauna e dos ecossistemas ao longo dos anos, formando uma base científica para estudos de conservação e monitoramento ambiental.
Além da apresentação dos resultados, o simpósio reunirá pesquisadores, estudantes, gestores ambientais e instituições de ensino de diversas regiões do país. A programação prevê debates sobre avanços científicos, desafios do monitoramento ambiental e pesquisas voltadas à biodiversidade da Mata Atlântica.
O evento será realizado entre os dias 16 e 19 de junho na Unila, com inscrições gratuitas. A programação marca a divulgação dos primeiros resultados de um conjunto de pesquisas que vem ampliando o conhecimento científico sobre uma das mais importantes áreas protegidas do país.