
Vitor Rangel Aguiar, 27 anos, confessou ter matado a ex-companheira, a estudante de medicina Julia Vitória Sobierai Cardoso, em Ciudad del Este, e responderá por feminicídio na Justiça brasileira após se entregar à Polícia Civil no Maranhão.
O crime ocorreu em 24 de abril, no apartamento onde a vítima morava, na cidade paraguaia que faz fronteira com Foz do Iguaçu (PR). Segundo a investigação, o suspeito não aceitava o fim do relacionamento, encerrado em fevereiro, e afirmou, em depoimento, ter agido por ciúmes ao desconfiar de um novo vínculo afetivo da jovem.
A prisão temporária foi cumprida na manhã de segunda-feira (4), conforme confirmou a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão. O investigado se apresentou espontaneamente, acompanhado de advogados, na Casa da Mulher Brasileira, em São Luís, unidade especializada no atendimento a casos de violência de gênero.
Como o mandado de prisão expedido pelas autoridades paraguaias não tem validade automática no Brasil, a Polícia Civil do Maranhão instaurou inquérito próprio e solicitou à Justiça estadual a decretação da prisão temporária, que foi deferida e posteriormente mantida em audiência de custódia. Com isso, o caso passou à jurisdição brasileira, embora o crime tenha ocorrido fora do território nacional.
De acordo com informações confirmadas pela Agência Brasil, a investigação brasileira foi instruída com dados repassados pelas autoridades paraguaias. Segundo a promotoria de Ciudad del Este, a vítima foi submetida a violência extrema, com mais de 60 golpes por arma branca, além de estrangulamento, dentro do próprio apartamento.
O depoimento do investigado também indica um padrão prévio de controle e vigilância. Ele afirmou que monitorava as redes sociais da vítima sem consentimento, obteve de forma clandestina a senha do celular dela e acessava o aparelho sem autorização. Relatou ainda que possuía as chaves do imóvel sem o conhecimento da jovem.
Após a audiência de custódia, o suspeito foi encaminhado ao Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís, onde permanece à disposição do Poder Judiciário.
A apuração segue sob responsabilidade do Departamento de Feminicídio da Polícia Civil do Maranhão, que recebeu integralmente os dados da investigação conduzida no Paraguai. A vítima cursava medicina no país vizinho desde 2025. O caso é tratado como feminicídio em razão do vínculo íntimo entre autor e vítima e da motivação associada à condição de gênero.