Publicidade

Oficina no Parque Nacional do Iguaçu define indicadores para monitorar impactos da visitação

Especialistas, gestores e representantes do setor turístico debateram parâmetros que irão avaliar o desempenho da concessão e fortalecer a gestão do uso público na unidade de conservação.

Por: Redação Fonte: Informações assessoria
04/06/2026 às 15h31
Oficina no Parque Nacional do Iguaçu define indicadores para monitorar impactos da visitação
Oficina de Definição de Parâmetros e Monitoramento de Desempenho. Foto Assessoria

O Parque Nacional do Iguaçu promoveu, entre os dias 26 e 28 de maio, a Oficina de Definição de Parâmetros e Monitoramento de Desempenho, iniciativa voltada à construção de indicadores para avaliar os impactos da visitação e aperfeiçoar a gestão do uso público na unidade de conservação.

A atividade reuniu especialistas do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), representantes do Conselho Consultivo do Parque Nacional do Iguaçu (CONPARNI), do Conselho Municipal de Turismo (COMTUR), integrantes da concessionária responsável pelos serviços de visitação e técnicos do Parque Nacional Iguazú, na Argentina.

O principal objetivo da oficina foi desenvolver parâmetros que irão compor um dos indicadores do sistema de mensuração do contrato de concessão do Parque Nacional do Iguaçu. O indicador será utilizado para monitorar os impactos da visitação e integrar o modelo de avaliação de desempenho da concessionária, influenciando diretamente o cálculo da outorga variável, valor pago anualmente ao ICMBio conforme os resultados alcançados na execução dos serviços.

De acordo com o gestor responsável pela fiscalização dos contratos no Parque Nacional do Iguaçu, Carlos Vinicius Rodrigues, a iniciativa representa um avanço importante para tornar o monitoramento mais técnico e eficiente.

“O objetivo é construir uma base técnica mais sólida para a tomada de decisão, saindo de percepções subjetivas e avançando para informações estruturadas sobre os impactos da visitação e sobre a gestão da área protegida”, destacou.

Durante o primeiro dia de atividades, os participantes discutiram conceitos, metodologias e diretrizes relacionadas ao monitoramento dos impactos da visitação em unidades de conservação. Também foram apresentados os indicadores que compõem o sistema de mensuração do contrato de concessão, incluindo temas como manutenção, gestão de resíduos sólidos, satisfação dos visitantes, áreas verdes e monitoramento ambiental.

A programação seguiu com atividades práticas de campo no segundo dia, permitindo que os participantes aplicassem os protocolos propostos e avaliassem sua efetividade. A experiência possibilitou identificar desafios metodológicos, oportunidades de aprimoramento e a necessidade de padronização dos procedimentos para reduzir subjetividades durante as avaliações.

Outro tema de destaque foi o potencial da ciência cidadã como ferramenta de apoio à gestão ambiental. Registros realizados espontaneamente por visitantes em plataformas especializadas de observação da fauna foram apontados como importantes fontes de informação para o monitoramento ambiental e para a tomada de decisões relacionadas à conservação.

As discussões também reforçaram que os impactos da visitação não estão necessariamente ligados apenas ao volume de visitantes, mas principalmente ao comportamento adotado pelas pessoas durante a permanência em áreas naturais.

“Uma única pessoa pode gerar impactos muito maiores do que milhares de visitantes, dependendo da forma como se comporta dentro da unidade. O debate trouxe essa reflexão sobre comportamento, educação e relação das pessoas com o ambiente natural”, observou Carlos Vinicius Rodrigues.

Ao longo da oficina, os participantes destacaram a importância da construção coletiva dos protocolos de monitoramento, reunindo diferentes experiências técnicas e práticas relacionadas à gestão da visitação em áreas protegidas.

Como encaminhamento, o grupo apontou a necessidade de ampliar futuramente o monitoramento para além das atividades de visitação, estruturando um plano mais abrangente de acompanhamento dos impactos sobre a biodiversidade e sobre o território do Parque Nacional do Iguaçu.

Para os organizadores, a oficina representa um passo importante na consolidação de uma gestão cada vez mais qualificada, baseada em dados e evidências técnicas, contribuindo para a conservação ambiental e para a melhoria contínua da experiência dos visitantes.

“Estamos começando um processo muito importante para o futuro da gestão do Parque. Mais do que mensurar a performance da concessão, queremos construir informações qualificadas que fortaleçam a tomada de decisão e a conservação da biodiversidade”, concluiu Carlos Vinicius Rodrigues.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários