
A apreensão de mais de 67 toneladas de drogas, o bloqueio judicial de R$ 436 milhões em ativos e o prejuízo estimado de R$ 361,3 milhões a organizações criminosas foram utilizados pelo deputado estadual Arilson Chiorato (PT), líder da Oposição na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), para contestar discursos de setores do bolsonarismo sobre o combate ao crime organizado.
Durante pronunciamento realizado na segunda-feira (8), o parlamentar afirmou que o enfrentamento às facções depende de ações de inteligência, integração entre instituições e sufocamento das fontes de financiamento do crime. Para sustentar a argumentação, apresentou resultados do programa federal Brasil Contra o Crime Organizado.
Segundo os números citados por Arilson, as operações realizadas nas primeiras semanas do programa resultaram na apreensão de mais de 67 toneladas de drogas, 639 armas de fogo, mais de 26 mil munições, 473 prisões e mais de mil veículos utilizados por organizações criminosas.
O deputado também destacou o impacto financeiro das ações. De acordo com os dados apresentados, os R$ 30,4 milhões investidos geraram prejuízo estimado de R$ 361,3 milhões às facções criminosas, além do bloqueio judicial de aproximadamente R$ 436 milhões em ativos vinculados ao crime organizado.
Foi a partir desses resultados que Arilson direcionou críticas ao bolsonarismo. Durante o discurso, o deputado citou o livro Contra o Sistema da Corrupção, publicado pelo senador Sergio Moro (União-PR) em 2022, para questionar a atuação do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no enfrentamento às organizações criminosas.
“Quando o assunto é PCC, o bolsonarismo gosta de fazer discurso duro, mas, quando esteve no governo, não teve coragem de enfrentar a facção. O próprio Sérgio Moro relata em seu livro que Bolsonaro queria cancelar a transferência de lideranças de facções criminosas por receio de represálias”, afirmou.
A declaração faz referência a passagens narradas por Moro em sua obra sobre episódios ocorridos durante sua passagem pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Na avaliação do líder da oposição, os resultados apresentados pelas operações federais demonstram que o combate às facções passa pela redução de sua capacidade financeira e logística.
“O verdadeiro combate ao crime organizado não se faz com slogans ou disputas políticas. Faz-se com investigação, cooperação entre os entes federativos, controle dos presídios e asfixia financeira das organizações criminosas, sempre respeitando a soberania nacional”, declarou.
A reportagem não localizou manifestações do senador Sergio Moro nem do ex-presidente Jair Bolsonaro sobre as declarações feitas por Arilson até a publicação desta matéria.