
O Governo do Paraná iniciou a implantação de um projeto piloto que utiliza inteligência artificial para auxiliar estudantes da rede estadual na elaboração e avaliação de redações. Desenvolvida em parceria com o Google, a ferramenta denominada “Tutor IA” começou a ser implementada em escolas da rede pública e abriu novo debate sobre os limites do uso de tecnologias na educação.
O projeto foi lançado nesta semana pela Secretaria de Estado da Educação (Seed) no Colégio Estadual Paula Gomes, em Curitiba. A fase piloto também inclui o Colégio Estadual Alberto Rebello Valente, em Ponta Grossa, com implantação prevista até 10 de julho.
A nova ferramenta passa a integrar uma estrutura já utilizada pela rede estadual. Segundo a Seed, mais de 6 milhões de redações foram concluídas na plataforma Redação Paraná em 2025. Desse total, cerca de 340 mil textos receberam avaliação com apoio de inteligência artificial.
Para o governo estadual, a iniciativa busca ampliar o suporte oferecido aos estudantes durante a produção textual e incorporar recursos tecnológicos ao processo educacional.
A adoção do Tutor IA, porém, recebeu críticas da APP-Sindicato, entidade que representa professores e funcionários da rede estadual. Em entrevista ao Plural - Curitiba, a presidente da organização, Walkiria Olegário Mazeto, relaciona a expansão dessas ferramentas a uma política educacional cada vez mais orientada pelos resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).
Segundo a dirigente, a escrita manual continua sendo uma etapa essencial da aprendizagem e não deve ser substituída por mecanismos automatizados.
“A nossa briga com o Estado é que os estudantes precisam escrever, grafar manualmente para a fixação do conhecimento e estímulo do cérebro”, afirmou.
Mazeto também questiona a ampliação do papel da inteligência artificial em atividades ligadas ao desenvolvimento da escrita. Para ela, a formação dos estudantes depende da leitura, da elaboração do raciocínio e da construção gradual da autonomia intelectual, etapas que exigem acompanhamento pedagógico permanente.
A dirigente sindical afirma ainda que o uso crescente dessas ferramentas ocorre em um contexto no qual, segundo a APP, a rede estadual prioriza indicadores de desempenho educacional. Para o sindicato, a busca por resultados em avaliações externas não pode substituir estratégias voltadas ao aprofundamento da aprendizagem.
O debate ocorre enquanto o Paraná amplia a presença de plataformas digitais nas escolas estaduais. De um lado, o governo apresenta a inteligência artificial como ferramenta de apoio ao ensino. De outro, professores e representantes da categoria questionam os impactos da automatização sobre a formação dos estudantes e o papel do docente no processo educacional.
O Tutor IA permanecerá em fase piloto nas duas escolas selecionadas antes de uma eventual ampliação para outras unidades da rede estadual.